O Ciclo das Trevas - Livro 2
Peter V Brett
Sinopse: O sol está se pondo sobre a humanidade. A noite agora pertence aos demônios vorazes, que se alimentam de uma população cada vez menor, obrigada a se esconder atrás de símbolos esquecidos de poder. As lendas falam de um Salvador: um general que certa vez reuniu toda a humanidade e derrotou os demônios. Mas seria o retorno do Salvador apenas mais um mito? Ahmann Jadir é o líder das tribos reunidas do deserto. Sua lança e sua coroa ancestrais são os argumentos de que precisa para proclamar a si mesmo Shar’Dama Ka, o Salvador. Os habitantes do norte discordam. Para eles, o Salvador não é outro senão o Arlen Bales, Protegido.
Houve um tempo em que Shar’Dama Ka e o Protegido eram amigos. Agora são adversários violentos e cruéis. Mesmo que antigas lealdades sejam colocadas à prova e novas alianças sejam criadas, a humanidade ainda não tem consciência do aparecimento de uma nova espécie de demônio, mais inteligente e mortal que todos os que existiam até então. Ainda existe luz na escuridão. Use-a para enfrentar os demônios do Ciclo das Trevas.
Resenha
Depois daquele final de matar, finalmente comecei a leitura, depois de uma espera que me pareceu eterna, mesmo com a DarkSide publicando o segundo livro até que relativamente rápido. E…. meu Deus, como um livro já consegue começar tão bom e viciante desse jeito?
Logo do início já estamos seguindo um personagem bem singular, algo que eu realmente não esperava, um demônio. Que demônio é esse? Eu poderia te contar, mas prefiro deixar você descobrir sozinho, hehehehe… Mas infelizmente não seguimos durante muito tempo, ele é apenas a introdução do que está por vir, nas 4 partes em que essa bíblia de 720 páginas está dividida (poderia ter 2 mil páginas, sério. Eu queria muito mais). Mas no início da primeira parte, nós não encontramos o trio do primeiro livro (Arlen, Leesha, Rojer), mas um personagem que apareceu no primeiro livro, de forma bem breve e marcante: Ahmann Jadir. Talvez você se lembre dele como o traíra do deserto que tentou matar o Arlen duas vezes e roubou a lança dele. Pois é, esse.
Então, eu já estava com um ódio mortal dele do outro livro, sabe como é que é, toda aquela traição e tudo mais… Mas eis que nesse livro ele já começa invadindo as cidades do Norte, começando pelo Forte Rizon, se auto-proclamando O Salvador, matando, estuprando e saqueando tudo em seu caminho. Mas antes que o nosso ódio possa aumentar desenfreadamente, a narrativa estabelece um novo padrão de passado e presente. No passado nós acompanhamos Jardir desde que era um garoto de 9 anos, quando foi levado de sua mãe e suas irmãs para o Hannu Pash, para começar o treinamento para se tornar um guerreiro. E no presente, nós vemos o mesmo Jardir seguindo com o seu plano de conquistar o norte para iniciar a Sharak Ka, a guerra da luz contra os demônios, ou alagai, como eles os chamam. Ele precisa dominar todos os chin antes de poder iniciar a guerra, então ele vê suas ações como justificadas, um mal necessário.
Os alagai eram abominações, escondidos da luz de Everam. Tudo em Ala seria o paraíso do Criador, se não fossem aquelas aberrações nojentas.
Enquanto isso no passado de Jardir, nós começamos a descobrir como esse guerreiro foi moldado. A infância dele nunca foi fácil, e sem dúvidas não fica muito melhor depois de iniciar o treinamento, poderia se dizer que ficou pior, mas não sob o ponto de vista dele. Os krasianos são um povo de guerreiros que sentem orgulho em morrer lutando contra a Noite. Qualquer um que morra de forma diferente é negado no paraíso, segundo o que eles acreditam. E o caminho que você tem de trilhar para chegar aonde Jardir chegou não é nada fácil, e é isso que iremos ver. E o passado de outro personagem acaba se revelando também, pois ele está entrelaçado com o de Jardir. Vocês se lembram do Abban, o khaffit amigo do Arlen? Nós vamos descobrir muito mais sobre ele também. Então o fato de podermos acompanhar toda a história do Jardir, impediu que o ódio absoluto por ele tomasse conta de mim, mas nem por isso significa que eu o amo. Vamos apenas dizer que o detesto, mas não completamente.
Embora a narrativa focada no Jardir e na Lança do Deserto seja bem grande, e muito necessária, pois acabamos por entender a complexa cultura dos krasianos, que se revela muito importante a partir de agora, enfim nos encontramos novamente com Arlem e os outros.
Após os eventos ocorridos na agora chamada Clareira do Salvador, muitas coisas mudaram por lá. De uma cidade pacata de lenhadores conformados a fugir dos terraítas, a Clareira se transformou em um pequeno exército que combate a Noite. De dia eles seguem suas vidas normais, embora adaptadas às atividades noturnas, e a noite eles dançam sua própria dança, como os krasianos, no combate contra os terraítas. As proteções de defesa e combate evoluem cada vez mais graças ao Arlen e à Leesha. E Rojer está até mesmo treinando aprendizes na arte de encantar os demônios com música.
Mas o Arlen tem o plano de espalhar todo esse conhecimento para todo mundo, para que cada pessoa possa não só se proteger, como começar a combater os terraítas. E os seus planos não precisarão esperar muito tempo para serem postos em prática, graças ao Jardir. Pois não demora muito tempo para que refugiados das cidades atacadas por ele comecem a chegar à Clareira, se juntando a todas as pessoas que já haviam ido para lá atrás do Salvador.
E é claro que há um limite para quanto a Clareira pode receber, então Arlen, Leesha e Rojer, partem em direção ao Forte Angiers, não só para conseguir ajuda para os refugiados, mas para também convencer os duques do norte que os krasianos são um perigo real e que todos do norte devem se unir contra eles.
Pois ele será marcado na carne nua e os demônios não suportarão a visão, e fugirão aterrorizados diante d'ele.
Mas resta saber se os homens serão capazes de colocar suas picuinhas de lado para se unirem. E aí você ainda fica pensando, "ei, que tal todo mundo se juntar para matar demônios?", enfim… humanos….
E no meio dessa tempestade que está se armando, não podemos esquecer dos demônios nada ordinários que estão com os seus próprios planos. E ainda temos o Arlen, que parece ter absorvido muita magia demoníaca, conforme vimos no último livro, e está cada vez mais preocupado de não ser tão humano assim. E além disso, ele vai ter de enfrentar o passado que ele vinha ignorando até então. Leesha continua se esforçando ao máximo para cuidar de todos os seus "filhos" da clareira, ao mesmo tempo que precisa convencer ao Arlen que ele não é um demônio. Rojer por sua vez está cada vez mais desacreditado de seu próprio potencial e também está assombrado pelo seu passado, e também não poderá fugir dele durante muito tempo.
A união vale qualquer preço de sangue. Contra a Noite e as legiões incalculáveis de Nie, melhor cem mil homens unidos do que cem milhões acovardados sozinhos.
Enquanto no primeiro livro nós essencialmente seguimos apenas 3 personagens, nesse aqui nós seguimos vários, mas não vou dizer quais para não acabar com as surpresas. Mas já adianto que as mudanças na "localização" da narrativa torna a leitura muito mais rápida, complexa e completa. Você acaba tendo uma visão maior sobre o que está acontecendo, em todos os lugares que importam, enquanto ao mesmo tempo vê os acontecimentos sob diversos pontos de vista. As 720 páginas pareceram 50, de tão rápido que a leitura fluiu.
Mais uma vez fui arrastada por um mundo completamente fantástico, ainda descobrindo muito e muito mais sobre ele. Desvendando muitos segredos da primeira até a última página. Terminei o livro cheio de teorias sobre o que estar por vir e também sobre o que já aconteceu. Dei 5 estrelas para ele e o favoritei. A ressaca literária é garantida no final, assim como o desespero pelo terceiro livro. Considero impossível um fã de fantasia não se apaixonar completamente por essa série, sem dúvidas é leitura obrigatória!
Sobre a edição do livro, basta dizer que é da DarkSide. A essa altura do campeonato, tudo mundo já sabe que isso significa que o livro é uma obra de arte, a fama deles já está no nível internacional! Encontrei pequenos errinhos de revisão, mas nada que afetasse a leitura, me pareceram erros de digitação que passaram batidos.
Depois disso tudo, nem preciso dizer que o recomendo, não é? Então boa leitura e divirta-se!
Será que os terraítas nos levaram à beira da extinção, perguntou-se, ou nós fizemos isso a nós mesmos?
Classificação
Sobre o autor
PETER V. BRETT gradou-se em Literatura Inglesa e História da Arte pela Universidade de Buffalo, estado de Nova York, em 1995, e depois passou mais de uma década no mercado editorial farmacêutico. Ele vive no Brooklyn. Educado com uma rígida dieta de romances fantásticos, quadrinhos e Dungeons & Dragons, escreve histórias fantásticas desde quando consegue se lembrar. O Protegido é sua estreia na ficção fantástica, e integra o aclamado Ciclo das Trevas, publicado em mais de trinta países, entre eles, Estados Unidos, Canadá, México, Inglaterra, Alemanha, França, Espanha, Portugal, Holanda, Itália, Japão, Rússia, Indonésia, Coreia do Sul e China.



































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