quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Resenha - E. Lockhart - Mentirosos

E. Lockhart - Mentirosos
Editora Seguinte 

Sinopse

Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro "Mentirosos") são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.

Resenha

Peguei este livro para ler sem saber direito o que esperar dele, vi muitas resenhas positivas e uma amiga me disse que odiou o livro, então decidi ler para ter minha própria opinião.

Logo que comecei o livro já me identifiquei em alguns momentos com a protagonista, a maneira que ela tem de encarar a dor, evitando falar dela.
"O silêncio é uma camada protetora sobre a dor."
O livo é narrado em primeira pessoa pela Cadence, uma menina de "quase dezoito anos" que sofreu um acidente aos quinze anos, mas não consegue se lembrar de nada do que aconteceu para ocasionar o acidente, e desde então ela tem dores de cabeça muito fortes.
"Às vezes é muito difícil estar viva. Muitas vezes desejo estar morta, de verdade, só para fazer a dor parar."
"Eu fico lá deitada e espero, e me lembro repetidas vezes que a dor não dura para sempre."
Os médicos aconselharam que Cadence se lembrasse sozinha do ocorrido e desde então ninguém quer contar a ela o que realmente aconteceu. E então dois anos após o acidente Cadence retorna a ilha e vai tentar descobrir o que aconteceu no verão de dois anos atrás.
"Meu esquecimento me assustava."
Cadence começa a nos contar sua vida até o verão do acidente, o que ela chama de verão dos quinze, que ocorreu dois anos antes do tempo atual.
"Prefiro mil vezes viver, arriscar e ver tudo acabar mal a permanecer na bolha que estive nos últimos dois anos."
A Família de Cadence, Sinclair, é uma família riquíssima, seu avô teve três filhas mulheres que casaram-se e tiveram seus filhos. Todo os verões a família de reúne em uma ilha da família.  Cadence, Jhonny, Mirrente e Gat formam o grupo que ficou conhecido como Mentirosos de tanto que aprontavam, apenas Gat não era da família, todos eram loiros e ricos, Gat pobre e mulato, sendo sobrinho do novo marido da tia Cadence. Gat foi muito bem recebido pelos meninos, mas não da mesma forma pelo avô de Cadence.
"Há muita pouca coisa que se pode mudar. É preciso aceitar o mundo como ele é.”
Cadence se apaixonou por Gat e às vezes ela acha que ele a ama, às vezes não, pois eles se vêem apenas no verão, fora desse período ele sequer entra em contato com ela, e ainda tem uma pessoa onde mora.
"Se está com muito medo, é provável que exista um bom motivo para isso. Você tem que confiar nos próprios instintos."
A trama também conta a história da Família Sinclair, que parece perfeita olhando de fora, mas tem seus defeitos como todas as outras. O foco da trama é descobrir o que aconteceu com Cadence, e o final para mim foi completamente inesperado. Achei tudo maravilhoso e perfeito e pretendo reler o livro.

Super recomendo a leitura, foi livro muito intenso em tão poucas páginas.

Classificação



terça-feira, 18 de novembro de 2014

Resenha: Ligeiramente Casados - de Mary Balogh

LIGEIRAMENTE CASADOS

Serie: Os Bedwyn - Livro 01
Autora: Mary Balogh
Editora Arqueiro 


SINOPSE

À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse Custe o que custar!. Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum. Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela... a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele o que acontecerá em quatro dias.

Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar. Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados...

Neste primeiro livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh nos apresenta à família que conhece o luxo e o poder tão bem quanto a paixão e a ousadia. São três irmãos e três irmãs que, em busca do amor, beiram o escândalo e seduzem a cada página.

RESENHA

A parceira, Editora Arqueiro lançou mais uma vez um romance de época maravilhoso. Ligeiramente casados é o 1º volume da Série Os Bedwins da autora Mary Balogh. A familia Bedwin  fazem parte da elite Londrina. Conhecidos por suas personalidades fortes e que dificilmente se apaixonam, mas quando o fazem é para valer.


"- Não tenho tanta certeza disso - retrucou Aidan. - Não mesmo. Nós, Bedwyns, sempre levamos o casamento muito à sério, Eve. Qualquer pessoa que se case com um de nós precisa estar preparada para ser amada e cuidada pelo resto da vida."

Basicamente a sinopse revela muito de como vida do Coronel Lorde Aidan Bedwyn se cruza com vida de Eve Morris. Pode se dizer que graças ao destino, a determinação em  pagar uma dívida e as circunstâncias de ambos, o resultado acaba em uma união através de um casamento de conveniência. Aidan está motivado em cumprir sua palavra e Eve determinada em garantir sua propriedade, estabilidade financeira e a proteção dos seus amados incapazes.

"- Tive a impressão - comentou Aidan, relutando em mostrar abertamente sua curiosidade - que o Sr. Morris havia deixado Ringwood para a filha.

- Ah, ele deixou - confirmou o proprietário. - Mas o lugar passaria para o Sr. Percival depois de um ano. Agora que ele acabou sendo morto pouco antes desse ano terminar, o Sr. Cecil Morri vai acabar ficando com tudo. Não espero ver Cecil Morris mergulhado em tristeza pela morte do primo."

O severo e frio Duque Bewcastle, irmão mais velho do coronel, exigi que Aidan apresente a esposa para a rainha e a seus conhecidos nobres. Aidan não aceita, porém o duque de Bewcastle faz o que deve ser feito para o bem da imagem da  família. Após uma visitinha do duque de Bewcastle (um homem de surpresas), Eve Morris acaba envolvida em uma sequência de determinações a serem cumpridas por uma Bedwin na sociedade. Quando na verdade ela achava que após o casamento estaria "livre". Mal ela sabia que o seu novo sobrenome iria mudar sua vida.

"- Concordar com um casamento apenas no nome - retrucou ele - Deveríamos ao menos ter feito do nosso um casamento de verdade, mesmo que seguíssemos separados o resto de nossas vidas.
- Teria sido errado. - falou ela por fim.
-Errado? Somos um homem e uma mulher disse ele com severidade - e nos casamos há algumas semanas. Homens e mulheres, principalmente quando casados, costumam ir para a cama juntos."

O livro se passa em 1814 onde os ingleses  venceram os franceses em batalha. Londres está em festa e a alta sociedade é só celebrações. E os Bedwins possuem suas obrigações. Sendo assim, o Duque de Bewcastle aproveita para apresentar a todos a Lady Aidan Bedwin, ninguem menos que Eve, obrigando a Aidan a cumprir seu papel de marido.

"- Ficarei até esta situação ser resolvida - falou - Quando eu deixá-la, quero que esteja a salvo, em segurança e feliz.
- Por causa da promessa que fez a percy?. - perguntou Eve.
- Porque você é minha esposa."

Aproximação com a nova família, Eve acaba conhecendo muito mais do seu marido e de seus encantos também. O jeito determinado e teimoso de Eve, afeta a todos, ganhando a admiração e os sentimentos de Aidan. E aos poucos o que era para ser um casamento de conveniência transformar-se em algo muito maior, no qual ambos não possuem mais o controle de suas ações e sentimentos. 

MINHA IMPRESSÕES

Meu primeiro livro de romance de época, não me decepcionei. A escrita de Mary Balogh é bem gostosa e o desenvolvimento da trama igualmente envolvente.  Tive um enorme prazer em ler este livro. Fiquei ainda mais curiosa para conhecer um pouco mais a família Bedwyn, até porque neste livro temos uma ideia de como será cada personagem e  um pouco de como serão os livros quando estes forem os protagonistas. (Ansiosa para o livro do duque)

Os personagens principais são cativantes, cada um de uma forma. Eu adorei o jeito teimoso-abusada de Eve, é sensacional, porque fica um contraste com o jeito bonzinho e sentimental de ser, em algumas partes do livro me diverti muito com isso. E a apresentação de Eve a rainha é a melhor! Ela mostrou que realmente ela é mocinha diferente.  

Nosso cavalheiro é uma mistura de herói, seriedade e rudez. Sendo também um homem bondoso e honrado. No inicio do livro fiquei meio sem saber o sentia por ele, mas conforme a leitura fluiu, fui me apaixonando. Ele me deixou muitas partes do livro suspirando, sinceramente me peguei pensando "Ai esse Aidan é meio que um bad-boy-fofo de época!" rsrsrsrs... 

Parabéns para Editora Arqueiro pelo capricho na diagramação. A Capa foi o que me chamou a atenção inicialmente, acho LINDAAAAAA demais. Enquanto lia só imaginava a modelo da capa como Eve Morris. 

Não devorei o livro, pois senti uma necessidade de degustar cada parte, cada nova situação, as reviravoltas foram causando uma ansiedade. Com decorrer da leitura percebei que acompanhava o surgimento do amor e vê-lo tomar forma e consistência, foi emocionante. O livro é doce e angustiante, fez meu coração ficar apertadinho em diversas partes.

Então gente eu ri muito, me chateei, me apaixonei, me angustiei, chorei e torci muito pelo romance de Aidan e Eve. Me surpreendi com as atitudes do duque de Bewcastle, prevejo um livro maravilhoso com esse cara como protagonista. 

Este tipo de livro é para ser lido por quem procura um bom romance e que ama suspirar! 
No final não consegui conter as lágrimas, sim, confesso chorei! 



Mal vejo a hora para ler o restante desta série... 
E que venha Ligeiramente Maliciosos! 




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Resenha: Fuga do Campo 14 - de Blaine Harden

FUGA DO CAMPO 14
Blaine Harden
Editora Intrínseca


Sinopse: Sua lembrança mais antiga é uma execução. Ele caminhava com a mãe rumo a uma plantação de trigo perto do rio Taedong, onde guardas tinham arrebanhado vário milhares de prisioneiros. Alvoraçado pela multidão, o menino rastejou entre pernas adultas até a fileira da frete, onde viu um homem ser amarrado a um poste de madeira. Naquela primeira execução, Shin viu três guardas fazerem pontaria. As detonações de seus fuzis aterrorizaram o menino, que caiu de costas. Mas ele se levantou depressa, a tempo de ver um corpo frouxo, ensanguentado, ser desamarrado, enrolado num cobertor e jogado numa carroça. No Campo 14, uma prisão para os inimigos políticos da Coreia do Norte, era proibido formar grupos com mais de dois presos, a não ser nas execuções. A execução pública - e o medo que ela gerava - era um momento didático. Os guardas de Shin, no campo, eram seus mestres. Ensinaram-lhe que os prisioneiros que infringiam as regras mereciam a morte.
Resenha

Na maioria dos casos, os norte-coreanos são enviados para os campos sem nenhum processo judicial, e muitos morrem sem saber do que foram acusados. São retirados de suas casas, em geral à noite, pela Bowibu, a Agência de Segurança Nacional. A culpa por associação é legal na Coreia do Norte. Muitas vezes um transgressor é preso com os pais e os filhos. Kim Il Sung estabeleceu a lei em 1972: "Inimigos de classe, sejam eles quem forem, devem ter sua semente eliminada por três gerações."

A Coreia do Norte é um um dos regimes mais fechados do mundo (na minha opinião é o mais fechado). Nós vemos constantemente flashs do que é a sociedade norte coreana, detalhes que vazam ou que são deliberadamente liberados para nós. E algo que sempre foi evidente é que existe um culto, uma doutrinação, em torno da família Kim. A Coreia do Norte parece uma adaptação do livro 1984. E assim como vimos em 1984, a imagem do Grande Irmão nada mais é do que uma mentira muito bem contada por um governo que controla (ou ao menos tenta ao máximo controlar) todos os aspectos da vida de seus cidadãos. Eles controlam os veículos de comunicação, eles decidem que tipo de emprego você pode ter, controlam todos os meios de produção, eles não te deixam viajar (até mesmo entre cidades) e durante muito tempo também controlaram a distribuição de comida. 

Como Kim Jong Il explicou: "Devemos envolver nosso ambiente num denso nevoeiro para impedir que nossos inimigos aprendam qualquer coisa sobre nós."

Fuga do campo 14 basicamente narra a história de Shin, um norte coreano que conseguiu fugir da Coreia do Norte. Mas Shin tem algo de diferente dos outros refugiados norte coreanos, ele é o único fugitivo conhecido, nascido e criado dentro de um campo norte coreano para presos políticos.  E não só isso, ele fugiu do campo 14, um dos mais fechados que existem, onde fugir é praticamente impossível.
O livro tem um tom de documentário, ele foi escrito por um repórter que entrevistou Shin para saber sobre a história do mesmo.

Ao avaliar a história aqui relatada, é preciso ter em mente que muitos outros presos passaram por adversidades semelhantes ou piores, segundo An Myeong Chul, o ex-guarda e motorista. "Shin teve uma vida relativamente confortável pelos padrões de outras crianças nos campos", disse ele.

A estória de Shin é muito parecida com a de sobreviventes dos campos de concentração nazistas, mas com algumas diferenças, dentre elas é que Shin nasceu no campo, para ele aquilo era o normal. Ele desconhecia completamente a existência do mundo exterior, o campo era o seu mundo. Ao contrário dos cidadãos norte coreanos comuns, Shin não era digno de ser doutrinado à endeusar a família Kim. Desde cedo ele aprendeu a seguir as regras do campo. Ele desconhecia ideais de família e de companheirismo. 

Ao contrário dos sobreviventes a um campo de concentração, Shin não foi arrancado de uma existência civilizada e obrigado a descer ao inferno. Ele nasceu lá dentro. Aceitava seus valores. Chamava-o de lar.

Mais uma vez como uma adaptação fiel de 1984, as crianças dos campos eram ensinadas a denunciar qualquer um que não cumprisse as regras: família, colegas da escola, etc. E como Shin não conhecia qualquer outra realidade a não ser aquela violenta, ele acreditava piamente nas regras do campo.A maior parte da vida de Shin foi marcada pela fome, pelo trabalho infantil, pela violência e pela ausência de confiança. Ele simplesmente não conhecia o amor, assim como qualquer outro sentimento positivo. Ao contrário dos judeus que encontravam conforto um nos outros, o mesmo não ocorre nos campos norte coreanos, todos são inimigos, você está só e não pode confiar em ninguém. Outra diferença entre os campos de concentração nazista e os campos norte coreano, é que enquanto Auschwitz funcionou durante uns 5 anos, os campos norte coreanos já estão ativos a mais de 50 anos.

(…) o Campo 14 é uma caixa de Skinner com mais de cinquenta anos, um experimento longitudinal ainda em curso sobre repressão e controle mental, em que guardas criam prisioneiros a quem controlam, isolam e jogam uns contras os outros desde o nascimento.

O livro vai narrando a vida de Shin através dos anos intercalando com explicações sobre a história e política da Coreia do Norte. Para mim que já conheço a história do país (na verdade sou "quase" uma viciada na cultura, política e história do oriente) essa parte ficou repetitiva, mas deve ser extremamente interessante para quem não conhece ainda. Por esse motivo eu acabei dando 4 estrelas para o livro. Estava esperando uma narração em primeira pessoa de Shin e que o livro fosse focado na sua história no campo, em suas experiências somente. Obviamente essas partes existem, mas apenas em quantidade inferior ao que eu esperava. O livro é bem emocionante e mostra de maneira mais objetiva possível a realidade desses campos e a realidade do Shin, tudo pelo qual ele passou: antes, durante e depois da fuga. Ele abre uma janela para possamos tem um vislumbre da Coreia do Norte e da vida dos cidadãos dentro e fora dos campos.
Esse livro vai te fazer questionar o mundo em que vivemos. Diversos governos, principalmente ocidentais, amam ostentar como combateram o nazismo e salvaram os judeus dos campos de concentração. Esses mesmos governos porém se fazem de cegos diante dos campos norte coreanos, amplamente retratados em fotos de satélite. Sua existência é inegável, mesmo a Coreia do Norte não admitindo sua existência. Pelo que se sabe, existem 6 campos, um deles é maior do que a cidade de Los Angeles. Centenas de milhares de pessoas estão nesses campos e o número não para de crescer. Eles fazem os prisioneiros trabalharem até a morte. Eles fazem os filhos e os netos dos prisioneiros trabalharem até a morte. Eles os matam lentamente de fome. Eles os matam rapidamente em surtos de violência descabida. Não há esperança de fuga. Se um prisioneiro cometer suicídio, a família vai sofrer a vingança dos guardas. Para as crianças não existe futuro, sequer existe um traço de humanidade naqueles a sua volta. Esse livro irá te mostrar todos esses aspectos, é uma estória que vai de marcar.

"Estudantes secundaristas nos Estados Unidos discutem por que o presidente Franklin D. Roosevelt não bombardeou as ferrovias que serviam aos campos de concentração de Hilter", concluía o editorial. "Daqui a uma geração, as crianças poderão perguntar por que o Ocidente olhou fixamente para as imagens de satélite dos campos de Kim Jong Il, muito mais nítidas, e nada fez."

Sobre a edição do livro, a foto da capa é do Shin. O trabalho gráfico está maravilhoso e não tenho do que reclamar. O livro é pequeno e é super rápido de se ler, a leitura flui muito bem. O ritmo é muito bom, o autor conseguiu intercalar a história de Shin com as explicações de forma coerente, sem quebrar ou retirar o foco da estória. O livro é altamente recomendado para aqueles que se interessam pelo assunto e ainda mais recomendado para aqueles que nunca se interessaram. As centenas de milhares de prisioneiros norte coreanos precisam que o máximo de olhos possíveis estejam voltados para a Coreia do Norte. Quem sabe em um futuro próximo eles possam ser libertados…

"Os tibetanos têm o Dalai Lama e Richard Gere, os mianmarenses têm Aung San Suu Kyi, os darfurianos têm Mia Farrow e George Clooney", disse-me Suzanne Scholte, uma ativista de longa data que levou sobreviventes de campos para Washington. "Os norte-coreanos não têm ninguém assim."

Imagem de satélite do Campo 14


Sobre o autor

Blaine Harden (na foto com Shin Dong-hyuk) é reporter do programa Frontline, da PBS, e colaborador da revista The Economist. Reside em Seattle, depois da sucursal do jornal The Washington Post em Tóquio. É autor dos livros Africa: Dispatches from a Fragile Continent e A River Lost: The Life and Death of the Columbia.



sábado, 15 de novembro de 2014

Enquanto o Natal não chega... PROMOÇÃO!!


É Galera!
Já na fase preparatória da chegada do Natal, o blog Cia do Leitor está lançando uma promoção Previa para a chegada da grande festa natalina.

Estaremos sorteando um lindo kit de livros com os três livros da Série "Foi Assim que te amei" da autora Adriana Brazil e Editora Novo Século

Livros: 
► Outono de Sonhos
► Inverno de Cinzas
► Primavera de Cores
+ Marcadores dos livros

Basta seguir todas as regras para não ser desclassificado. Quer saber quais regras?

Então, clique na "imagem acima" ou no "link abaixo" e será encaminhado para a postagem do sorteio.

BOA SORTE!

Resultado de promoção: Promoção do mês das Crianças


Olááááá gente!!
Espero que vocês me perdoem por ter demorado uma semana pra postar o resultado da promoção do mês das crianças. É que estou (ainda) sem computador. Tenho que ficar mendigando o computador alheio pra ao menos postar as resenhas. A postagem de resultado de promoção é mais complicada devido ao processo de sorteio, conferencia dos participantes se seguiram as regras, etc.

Hoje consegui ficar mais tempo no PC de meu genro pra fazer isso, então, sem mais delongas, vamos ao resultado.

Quem ganho o Kit de livros infantis foi...


PARABÉNS 
CRISTIANE OLIVEIRA!!!

Receberá em casa os livros na seguinte ordem:

SERÃO ENVIADOS POR NIZETE:
►O Pequeno Príncipe
►Mudle Trogg - O Menor gigante do mundo
►Mudle Trogg - 
►É o primeiro de aula ... Sempre!

SERÁ ENVIDO PELA SARAIVA:
►Eleanor e Park

SERÃO ENVIADOS PELA EDITA JANGADA:
►O Fantasma de Ania
►Diário de Estela

IMPORTANTE:

O Ganhador terá 7 dias pra responder o e-mail de contato, caso não o faça, novo sorteio acontecerá.
Não nos responsabilizamos por extravios ou caso a encomenda retorne, não nos responsabilizamos pela nova postagem.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Resenha: Grandes Esperanças - de Charles Dickens

Grandes Esperanças
Charles Dickens
Editora Landmark

Sinopse: Em 1861 Dickens publicou o mais equilibrado de seus romances: "Grandes Esperanças". A obra foi inspirada em sua experiência amorosa com a atriz Ellen Ternan, com a qual rapidamente se decepcionou. Grandes Esperanças é uma de suas obras-primas. Dickens acreditava, como todo inglês médio da época, na imutabilidade da hierarquia social e condensou no destino de Pip - principal personagem da obra - sua própria experiência: os perigos de uma ascensão social demasiado rápida.
Resenha

Esse dia foi memorável para mim, pois causou grandes mudanças no meu destino. Mas é assim com todo mundo. Subtraia um determinado dia de sua vida e veja que, sem ele, sua vida teria tomado um rumo diferente. Faça uma pausa por um instante, leitor, e pense na comprida corrente de ferro ou de ouro, de espinhos ou flores, que jamais se lhe estaria ligada, se um certo dia memorável não tivesse formado o primeiro elo dessa corrente.

Grandes Esperanças narra a estória de Pip. Um humilde garoto órfão que vive com sua irmã mais velha e seu cunhado Joe em uma pequena cidade no interior da Inglaterra. A vida de Pip é bem simples, ele está sendo criado à mão pela irmã e, por não se lembrar de seus pais, ele gosta de ir ao cemitério e imaginar os rostos deles baseando-se nas letras das lápides.
Um dia quando fica até tarde no túmulo de seus pais, Pip é surpreendido por um bandido em fuga. Essa bandido ameaça Pip, diz que ele deve levar comida e uma serra para que o mesmo possa se livrar das correntes. E se Pip não fizer isso, o seu "parceiro" o matará. Por ser extremamente inocente Pip acredita nessa estória e rouba a comida da cozinha da irmã e a serra do seu cunhado ferreiro. A partir daquele momento a vida de Pip começaria a mudar.
Enquanto ainda carregava a culpa desse crime nas costas, ele é chamado para que faça companhia a Miss Havisham, uma mulher extremamente "excêntrica" que vive em uma sinistra mansão. Nessa mesma ocasião ele também conhece Estela, a filha adotiva de Miss Havisham. E desde da primeira vez que conhece Estela, Pip sabe que ele jamais poderia esquecê-la.
O problema é que Miss Havisham sofreu uma grande desilusão amorosa quando jovem e decidiu criar Estela de forma que ela quebre o coração de todos os homens. O que rapidamente acontece com Pip. 
Pip sempre manteve uma linda amizade com Joe, seu cunhado. Antes de visitar Miss Havisham, Pip nunca viu qualquer defeito nele e esperava um dia se tornar o seu aprendiz. Mas bastou uma visita para que a visão de Pip mudasse. Bastou sofrer uma vez o desprezo de Estela para que ele começasse a reparar em como era pobre, em quanto Joe era vulgar.

Ela me lançou um olhar triunfante ao passar, como se ela se alegrasse por minhas mãos serem tão ásperas e minhas botas tão grosseiras; então abriu o portão e ficou segurando-o. Eu já estava passando sem olhar para ela, quando ela me tocou com um gesto de zombaria.
"Por que você não chora?"
"Porque eu não quero."
"Você chorou", ela disse. "Chorou até ficar quase cego pelas lágrimas, e está a ponto de chorar de novo agora."
Ela riu com desdém, empurrou-me para fora e fechou o portão sobre mim. (…) Enquanto andava, ia pensando em tudo que havia visto, e meditando profundamente no fato de que eu era um trabalhador vulgar; que minhas mãos eram ásperas; que minhas botas eram grosseiras, que eu tinha adquirido o hábito desprezível de chamar valetes de Jacks; que eu era muito mais ignorante di que eu teria me considerado na noite anterior, e, de modo geral, que eu ia de mal a pior.

Por mais que ele queira esquecê-la, ele não consegue. Estela o assombra em tudo que ele faz e mesmo após se tornar aprendiz de Joe e de parar de vê-la, a garota não sai de sua cabeça. Para Pip começa a ficar bem claro que ele não pode mudar de vida, mudar o seu destino. Ele começa a se conformar com ser um ferreiro quando tudo muda novamente. Um benfeitor misterioso resolve custear os estudos de Pip em Londres para que ele um dia se torne um cavalheiro. Ele não pode questionar quem é esse benfeitor e ele deve partir em breve. Em Londres ele terá um tutor, Mr. Jaggers, que por acaso é o advogado de Miss Havisham.
E é a partir desse momento que o futuro de Pip começa a ser escrito. Pip deixa para trás a vida pobre no interior e mergulha em um mundo de extravagâncias. Ele começa a mudar quem ele era para que possa se adequar a essa nova realidade. Sempre mantendo o amor e a obsessão que sente por Estela. Ele passa a esquecer de seu passado, sempre focado nas grandes esperanças que o aguardam no futuro.
A narrativa do livro é dividida em três partes e ela sempre segue Pip. A obra como um todo é grandiosa. Ela mostra de forma impressionante como a vida e a personalidade de Pip é moldada pelas pessoas e o ambiente a sua volta. Quando criança, Pip é completamente diferente do que se torna depois que vai para Londres e cresce. Dickens narra os erros, acertos e arrependimentos de Pip da forma mais humana possível. Pois mais do que tudo, Pip é humano e como tal não é perfeito. A mudança de classe o muda também. A estória mostra a realidade daquela época, mas em certos momentos parece que nada mudou, que ainda vivemos como antigamente e estamos sujeitos as mesmas tristezas e alegrias de Pip. Quanto ao romance do Pip com a Estela, ele tem um quê de O Morro dos Ventos Uivantes. Por vezes o livro se torna parado, mas após certo ponto na estória você pega um ritmo, você começa a ler o livro cada vez mais rápido na ânsia de descobrir o final da estória de Pip e dos mistérios que rondam o livro.

Eu li a edição bilíngue publicada pela Landmark e ela é maravilhosa, ela tem capa dura e ainda tem uma sobrecapa para proteção. As letras do livro são menores do que de costume, mas isso é compreensível. Se a fonte fosse muito grande o livro teria o dobro do tamanho e seria mais difícil andar com ele para cima e para baixo (falou a leitora de transporte público!). Além disso, existem também notas de rodapé muito úteis que explicam aspectos culturais da época e que nos ajudam a compreender plenamente a narrativa.
Embora algumas partes merecessem 4 estrelas, a obra como um todo merece 5 estrelas, sem dúvidas. Recomendo esse livro para todos os amantes da literatura. O livro é recheado de citações que você constantemente lê em outros livros, sem saber que na verdade foram extraídas desse. É sempre uma experiência maravilhosa ler um bom e velho clássico, um livro cuja estória atravessou séculos e incontáveis vidas.

"Sim, eu acho que acredito, querido menino. Seria uma surpresa se estivéssemos mais tranquilos e à vontade do que estamos no momento. Mas… é uma brisa tão suave e agradável sobre a água, talvez, que me faz refletir… Eu estava pensando agora há pouco, enquanto fumava, que nós não podemos ver mais além das próximas horas, do que podemos ver no fundo desse rio, cuja água tento agarrar. Nem podemos segurar os acontecimentos que virão, como não posso segurar essa água. Ela escorre pelos meus dedos e desaparece, você vê!"

Classificação


Sobre o autor

Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas da era vitoriana e contribuiu para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. A fama dos seus romances e contos pode ser comprovada pelo fato de todos os seus livros continuarem a ser editados. Entre os seus maiores clássicos destacam-se "Oliver Twist", "A Christmas Carol" e "David Copperfield". Dickens escreveu ainda "História de Duas Cidades", "Grandes Esperanças" e "Nosso Amigo Comum". Nos últimos anos de sua vida iniciou o livro "O Mistério de Erwin Drood", mas morreu antes de concluí-lo.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Resenha - Anjos - A facção iconoclasta - Wudson Silva

Anjos - A facção iconoclasta - Wudson Silva

Sinopse

Para cada ação uma reação: o plano seguia conforme o combinado. Mas, por que no meio de uma investigação tão importante o detetive Clóvis teria ido tão longe investigar a morte de uma modesta catequista? O que se passa em Anjos - o segredo de Judith, em síntese, representa uma armadilha contra o líder de uma perniciosa facção iconoclasta. A reação deste líder é a chave desta segunda aventura. O livro inicia por narrar os dias que antecederam a investigação sobre a morte de Judith, a catequista, e continua após a partida do detetive Clóvis da cidade interiorana de Rio Vermelho. Desta maneira, o livro anterior se passa em um lapso de tempo deste, que além de incluir as novas dificuldades investigativas devidas à intromissão dos inspetores externos Noêmia e César, revela novos aspectos da caótica filosofia angelical. A principal abordagem de Anjos a facção iconoclasta refere-se às práticas de explodir imagens sagradas em igrejas católicas. Mas Clóvis, o detetive que interpreta anjos, descobre a origem desta estranha tendência e se infiltra no audacioso e criativo fórum virtual de debates, o Art Forays, no qual enigmáticas mensagens são inseridas pelo grupo criminoso para indicar igrejas e métodos de detonação das esculturas religiosas que estas igrejas contenham. O desafio é interpretar essas mensagens para, chegando antes, evitar que novas explosões acabem por deflagrar uma guerra religiosa, de proporções incalculáveis. Os católicos estão irados, e não estão mais dispostos a aceitar a profanação de seus templos e signos sagrados.

Resenha

Este livro é uma continuação do livro Anjos: O segredo de Judith, porém pode ser lido independente de ter lido o primeiro, sendo que caso venha lê-lo depois esse segundo livro contém spoiler dele, pois se a história se passa paralelamente aos eventos do livro anterior.

Por cortesia do autor li Anjos: o segredo de Judith há um tempo atrás e foi um livro que gostei muito, com uma narrativa fluída, muito mistério e um toque sobrenatural onde um detetive tem ajuda de anjos em suas investigações.
“O ser humano que não se pode ver pensamentos, mas não é isso que acontece quando se está na presença do detetive Clóvis.”
O número de paginas com relação ao livro anterior cresceu bastante assim também como nota-se a evolução na escrita do autor e logo de cara somos apresentados a uma introdução de tirar o fôlego e isso é muito bom quando o autor consegue prender o leitor logo nas primeiras páginas.

Iconoclasta é nome dado ao membro do movimento de contestação à veneração de ícones religiosos que surgiu no século VIII denominado Iconoclastia. O termo iconoclastia significa literalmente “quebrador de imagem” e tem origem no grego eikon (ícone ou imagem) e klastein (quebrar).

A trama foca em investigações em ataques às igrejas católicas que começam a ocorrer após um Pastor muito famoso começar a fazer sermões na TV criticando adoração a imagens.

Ao decorrer das investigações toda a equipe do delegado Santiago tem que correr contra o tempo e tentar evitar os incidentes, matando as charadas no fórum onde a facção se comunica sem que eles percebam que a polícia conseguiu o acesso ao fórum.

A trama é muito bem constituída, chegando ao final não fica nenhuma ponta solta, o autor também conseguiu narrar as cenas com tamanha perfeição que o leitor consegue visualizar o filme passando em sua cabeça. Cenas de ação então forma perfeita.

Fui surpreendida com final da trama, o autor me enganou direitinho, jamais imaginei aquela reviravolta e a perfeição com que o autor ligou fatos do primeiro livro com a trama do segundo livro.
“-Só que tem coisas que os livros não explicam, assim como situações que muitos adultos ignoram.”
Eu particularmente adoro tramas de suspense com religiões de plano de fundo, para quem curte é um prato cheio. Mais um ótimo autor nacional para que possamos prestigiar. 

Recomendo muito a leitura, e se puderem não deixem de ler o primeiro livro.

Classificação

Onde comprar: 

(Ebook) Amazon:  

http://www.amazon.com.br/Anjos-Fac%C3%A7%C3%A3o-Iconoclasta-Wudson-Silva-ebook/dp/B00NF0M3JI

Direto com o autor (Livro físico)
wudsondasilva@hotmail.com